Lembranças entre o passado e o presente, se misturam nos relatos da família Miotto. O modo de plantar, colher, de viver, tudo se transformou ao longo dos anos.
Seu Decio Facneto Mioto conta que por volta de 1968, aos seis anos se mudou para Rodeio Bonito, RS, com seus pais.
As terras íngremes e cheias de pedras, não eram favoráveis a grandes plantações, mas ao longo dos anos foi possível ‘limpá-las’ e trabalhar de forma mais abrangente. Seu Decio se casou com Jurema Taschetto e tiveram dois filhos, Delcir e Deloir, quando grandes trabalharam em garimpos, enquanto os pais ficavam na propriedade. Desta forma, a família começou a comprar mais terras para que a produção se tornasse ainda maior.
Ao pensar na tecnologia disponível na propriedade hoje, seu Decio, relata que foram incontáveis vezes em que precisou lavrar com bois ou cavalo. “Nós não tínhamos defensivo agrícola, não tinha nada, era na enxada e no arado. Isso que já plantávamos soja e milho, colhíamos com foicinha e para ‘bater’ era tudo no mangual.”
Deloir, conta que antigamente para arrancar um toco de árvore, seu pai dedicava um dia inteiro. “Para limpar as terras então, carregar as pedras na carroça para jogar todas em outra parte que não atrapalhasse na hora do plantio.”
Transformações que com o passar do tempo, tornaram a propriedade referência em cereais. “O investimento ao longo dos anos foi grande, seguimos porque é o nós sabemos fazer e queremos dar um futuro aos nossos filhos. Eles trabalham com a gente, então precisamos acompanhar, nossa vontade com certeza é que continuem e façam a sucessão familiar,” declara Delcir.

A mão de obra é apenas familiar, o que torna a divisão das tarefas importante, no momento de colher Deloir e o filho Vagner assumem, enquanto a função de carregar a produção fica com Delcir e os filhos Renan e Jean Carlos. Demais tarefas são distribuídas conforme a disponibilidade de cada um, a esposa de Deloir, Danira e de Delcir, Sandra, cuidam da organização da propriedade. Hoje somente, a filha de Deloir, Jaqueline, trabalha fora da propriedade.
Em torno de 630 hectares, muitas vezes a família não tem sábado nem domingo, com o clima também definindo o cronograma das plantações. Entretanto eles sabem da importância de uma boa qualidade de vida e não deixar de ‘tirar umas férias rápidas’.
Força que move
As chuvas que assolaram grande parte dos municípios do Rio Grande do Sul em 2024, deixaram marcas visíveis. Uma delas em Rodeio Bonito, onde no dia dois de maio a ponte que ligava Rodeio Bonito ao Distrito de Saltinho foi levada pela água.
O momento de tristeza abalou a família, mas não a desestabilizou. De forma cautelosa eles encontraram uma solução para as adversidades com a falta da ponte.
O técnico Edenilson Lizot, que acompanha o crescimento da propriedade há mais de 15 anos, afirma que a alegria sempre sobressai a tristeza. “O nono, seu Decio, está sempre com alguma história engraçada pronta para ser contada. Já com o Delcir e Deloir não existe tempo ruim, se precisa ser feito, será.”
A troca de informações e o diálogo tornou-se fundamental para desenvolver a propriedade. Referenciada pela família como o braço direito, a cooperativa construiu uma relação digna com os passar dos anos.



